quinta-feira, 20 de maio de 2010

Uma certa amiga...



Escreve, escreve... apaga.
Escreve, escreve, escreve... apaga!
Escreve, escreve, escreve, escreve... ahhhh! Apaga! Apaga tudo!

Inspiração, cadê você?!

Só por que estou com vontade de escrever, só por que quero falar sobre alguma coisa, só por que anseio em dizer algo, só por isso ela não me aparece...

Que droga!

Que adianta todo este momento, toda essa euforia, todos estes pensamentos...

Há tempos que não a vejo...
Não brincamos mais, não conversamos mais, não trocamos idéias...

Ingrata esta Inspiração!

Lembro-me de quando viviamos juntas, amigas inseparáveis!
Onde uma estava a outra também estaria,
onde outra ia, a “uma” a seguiria...

Riamos juntas, sonhavamos juntas, choravamos juntas...

Ah... saudades dela... minha amiga...

Quer saber também?!! O dia que aparecer aqui vou xinga-la tanto!!
De tudo quanto é nome! Como ela é tonta!
Que falta de consideração!
Não me visita mais, não me liga mais!
Nem ao menos se deu ao trabalho de me escrever uma carta dando sinal de vida!
E eu, mais besta ainda! Fico aqui, tentando acha-la!

Amiga? Hunf... Amiga da onça ela!
Quando mais preciso, ela simplesmente some!
Bonito não?!
E ainda por cima...

“Toc, toc, toc”

Ahh que merda! Quem será a esta hora?
De madrugada!
Vou dar um soco na cara desse infeliz...

- Quem é, ein?!

- Adivinha!

- Inspiração?! Ahh!! Amiga que saudades de você! Que bom te ver! Sua louca! Você é sempre assim, aparece nos momentos que nunca te espero...!

Mas entre, por favor venha.
Vamos falar da vida...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Noite Nebulosa

Entro no trem com um leve sorriso estampado no rosto, sento-me próxima a porta, e olho na janela em minha frente a paisagem que começa a se mover assim que o maquinista da a partida.
Ali fico.
Olhando e pensando.
Vejo lá fora, ao longe, as luzes brancas dos postes que estão no meio da escura neblina, que com o movimento do trem fizeram me lembrar dos vaga-lumes, aqueles pequenos insetos que passeiam pela noite, brilhando em meio a escuridão, com suas luzes brancas, verdes, vermelhas...
Após me perder, com a idéia dos vaga-lumes, volto meu pensamento ao real sentido daquele leve sorriso estampado em minha face do começo desta história... Sorriso este que tinha um motivo para estar ali enfeitando minhas feições... Ah, e então, após viajar em pensamentos, me lembrara dele... Dele e de seus olhos, de seus olhos e seu sorriso, de seu sorriso e sua boca, de sua boca e de seu beijo... Céus! Que beijo! Se existe algo melhor, então não conheço, e, sinceramente, duvido que exista, pelo menos para mim, pois nada nunca seria melhor que um beijo da pessoa amada.

“Ah, neblina da noite que me faz lembrar de ti! Poderia ela, também, trazer-te pra mim... Para que no frio dela, pudesses me esquentar...” – murmuro em pensamentos.

E assim, murmurando a falta dele por dentro, encosto a cabeça no vidro da janela que se encontra atrás de mim, e fecho os olhos, paro por um instante, esqueço do mundo ao meu redor, e assim, em meio ao escuro de minhas vistas fechadas, de repente enxergo-o, vejo seus olhos, a me observar, a me “analisar” como brinco com ele... Lembro-me de sua mão passando por meu rosto, seu beijo por meu pescoço, seu corpo junto ao meu, sua voz próxima ao meu ouvido dizendo “Te amo”, chego até mesmo a sentir o teu perfume... teu perfume?! Abro os olhos num fio de esperança e procuro, numa rápida visão do vagão onde me encontrava, estaria ele ali? Olho mais um pouco com certa ansiedade e... não, ele não estava lá, tão pouco passara por ali, era o seu cheiro que ainda estava em minha roupa, me trazendo tais lembranças...

Acordo do sonho de velo ali, mas me conformo. Sei que o verei novamente, que o sentirei novamente, que o beijarei novamente, e claro, poderei dizer que o amo novamente...

Então, volto a olhar a paisagem nebulosa que passa pela janela, indo de volta para minha casa, imaginando vaga-lumes e com um leve sorriso estampado no rosto...